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domingo, 24 de maio de 2015

Rain when I die

Há tempos eu não saio mais de casa à noite. Eu nunca saio, nunca mesmo. Bebo em casa. Rio em casa. Faço festa no meu lar. No dia que resolvo sair, chove. Como se até mesmo o próprio clima quisesse me deixar em casa. Me obrigando a pensar em um plano B. Me obrigando a fazer exatamente o que eu não queria: pensar.

Não adianta mais acender um cigarro atrás do outro. Minha mente cansou da letargia. Minha mente quer ver gente, quer ver o mundo. Mas a chuva é forte demais. Pelo menos não faz frio. Em noites frias as ausências se tornam mais óbvias. E o teu cheiro ainda está no meu travesseiro. Ainda tem roupas tuas largadas no meu quarto, misturadas na minha bagunça. Bagunça mesmo está meu peito. De vez em quando se enraivece. De vez em quando sente saudade. Mais saudade do que raiva.

A máquina apitou, ficou pronto o café.  Tomo uma, duas, três xícaras. Jogo Campo Minado no computador. Fico me perguntando se ainda tem alguém no bar. Se ficaram presos com essa chuva ou se resolveram ir pra casa. Desisto de pensar isso. Eu não vou querer sair na chuva. Fico pensando em toda essa confusão que se instalou na minha mente. Mas só o que vem é a saudade. Saudade, saudade.

Por que eu ainda lembro do teu cabelo roçando minha orelha. Eu ainda sinto falta da nossa coleção de camisetas pretas. Mas eu sigo tomando meu café e fico observando a chuva pela janela. A água que bate em gotas. O café eu ainda tenho. Mas você, não.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Em fuga



Estou fugindo, meu bem. Sou eterna fugitiva nessa vida. Fujo da dor, fujo do medo, fujo de tarefas difíceis e fujo de compromissos, fujo de pessoas que me exigem mais do que eu posso dar e fujo do amor também. É, eu fujo do amor. Eu fujo por que eu não quero ter que parar nos braços de um alguém que vai ter outra nos braços. Fujo por que quero evitar a mágoa que um dia poderei ter. Nego os prazeres de amar e ser amada por medo de que um dia isso tudo acabe.

Fujo por saber que não encontrarei sorriso tão doce quanto o teu, que desses corpos que passam por mim na rua, em festas e até mesmo na minha cama, não vão ter teu cheiro e não o calor do teu abraço. Eu fujo de tudo um pouco, mas eu fujo principalmente da distância geográfica que existe entre eu e você.

Fujo pra longe daqui e mais perto daí, por não querer passar mais nem um dia de minha existência sem ter teu carinho, sem tomar um café com leite olhando pra você e sua cara de sono, seu cabelo irremediavelmente bagunçado, sua barba por fazer, o cigarro pendurado nos seus dedos, o sorriso de escárnio para o mundo. E falando em mundo, eu quero fugir desse mundo em que você está sozinho aí e eu sozinha aqui, e ir para um mundo onde eu e você você e eu, nós dois e toda a nossa intensidade estejam juntas, grudadas iguais queremos que estejam nossos corpos, nossas bocas, nossas mãos e nossas almas.

domingo, 10 de maio de 2015

Faz frio.

Há dias eu já não sorrio mais. O frio chegou com tudo aqui na região Sul, e eu tive que deixar as janelas fechadas para não entrar vento. Mas também não entra luz. Não sei mais o que é a luz do Sol, esse astro-rei não tem me esquentado nos últimos tempos. O som do teu sorriso também não tem mais me esquentado a orelha em noites frias. Tudo permanece gelado por aqui.

Um eu sem você, um punhado de dias sem sol e um peito gelado que amor algum além do seu vai ser capaz de aquecer.

domingo, 12 de abril de 2015

Tempus longum vitiat lapidem

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Uma hora tudo acaba. E para nós essa hora chegou. A hora em que findam os planos em uníssono e as metas a partir de agora são individuais. Aquele momento em que estávamos diante de uma bifurcação, e seguiu cada um para um lado diferente, e pôxa vida, as rotas nem são paralelas. Os dias se passam e as mesmas músicas melancólicas tocam. Ou aquelas completamente alegres, porém recheadas de memórias. Diferentes momentos voam como um filme em preto e branco na memória, e rápida(mente) se vivem sorrisos, abraços, orgasmos e palavras. Canções de amor. Gritos de prazer. Até chegar a sussurros que iniciam brigas. Tempestade na alma. Há só o barulho dos trovões.

E depois disso eu procurei você. Em cada bituca de cigarro. No fim de todas as latas de cervejas e todas as doses de whisky. Procuro você em outras pessoas que também procuram outras pessoas. Abyssus abyssum invocat, não é isso que dizem? Encontro você nos meus textos, no cheiro de algumas roupas perdidas. Na luz que entra na janela e ilumina sua poltrona.

Mas acabou, baby. Eu sei disso. C'est finit. Que vás ser feliz. Que viva muito. Que me esqueça ou que me lembre, seja o que for, contanto que com intensidade. Guarda de resguardo o carinho imenso que tive por ti. Agora vai, baby. "Faze o que tu queres." Não é isso o todo da lei?

Me deixa aqui, relembrando-revivendo-rememorando-remoendo. Recontando histórias que eu já sei de cor. Olhando velhas fotos que minha mente até já gravou. Só vá. Pra longe, pra perto, quem sabe? Que volte ou não.

Mas vá, meu bem. Dê-nos a chance de sermos felizes. Como duas almas distantes. Que um dia vão se encontrar mais uma vez. Seja nessa vida ou em alguma das próximas.

P.s.: na próxima vida eu desejo que sejamos árvores deciduais. Pra pelarmos-nos mais uma vez juntos durante o outono. Pra viver ao seu lado sem trocar palavra. Pra te fazer sombra e te proteger do sol. Ser sombreada e protegida do sol. Por séculos. Do teu ladinho, assim.

terça-feira, 10 de março de 2015

Te puedo ver en mi, me puedo ver en vos

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Chove e eu escuto Inmigrantes. "Caen las hojas, cae la lluvia, cae tu ropa en mi cama... todo cae." Impossível não lembrar dessa mistura de eu e você que somos nós dois. E mais uma vez, me pego desejando aquela noite de chuva em que nada seria capaz de me esquentar mais que teu corpo. Nem o cobertor mais quentinho. Nem a bebida mais forte. Só teu corpo ao lado do meu, tuas pernas entrelaçadas nas minhas, teu sorriso bonito na minha direção.

Mas agora chove e chove, e não para de chover. E eu aqui, querendo deitar com você, querendo preencher todo o espaço de um colchão de solteiro com mãos, braços e abraços de nós dois. O planeta Terra deu sete voltas completas ao redor do Sol e eu continuo desejando você. Quantas estações vieram e foram embora e eu carreguei comigo essa saudade que nunca esvaziava meu peito. Vários solstícios de inverno e querer tua presença sempre foi uma constante. Te sentir, te admirar. Deitar em qualquer lugar contigo e traçar linhas nas tuas costas com meus dedos. Decorar tuas expressões.

"El alma se llenó" sempre será nossa música. Por que é sempre amor, mesmo que mude. E nós mudamos. Mais de cinquenta mil horas passaram e nos fizeram mudar. É sempre amor mesmo que alguém e esqueça o que passou. Mas nós não esquecemos. Tu não esquece o calor dos meus braços. Eu não esqueço teus carinhos reconfortantes.

Continua chovendo. Toca Bidê ou Balde e Inmigrantes. Sim, sempre serão nossas músicas. E sim, continua chovendo e vai chover muitos dias ainda. Mas nos próximos dias de chuva assim, eu quero estar com você. Sorrindo com teu sorriso. Quentinha nos teus braços. Feliz de coração.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Etre proche ne est pas physique. Dans ce cas, est.

Te cravo as unhas nas costas. Te envolvo com coxas grossas. Jogo na imensidão do quarto teu nome num sussurro em crescente, um gemido abafado. Tão logo tu escutas, geme em resposta. Minha pele roçando na tua. Teu sexo colado ao meu. Teus cabelos na testa, os meus por toda a cama e cara, ombros e seio. O outro seio repousa na tua mão que não repousa, mas acaricia-toca-provoca infinitamente, enviando sensações de cima pra baixo. Minha boca próxima ao teu ouvido, um fiapo de voz chamando teu nome. Mas só até minha língua escorregar no teu pescoço, teu sinuoso pescoço. As gotas de suor de dois corpos se misturando e se tornando o menor número ímpar. Nós dois sendo um. Tu sendo parte do meu corpo, grudado a mim, tão componente de mim. Tua mão deslizando pela minha coxa e desprendendo dela por uns poucos instantes até colar-se a ela novamente com intensidade gasta em forma de tapa. Chamo teu nome. Como resposta tu me olhas. Te impulsionas mais forte. Teu corpo quase explode.

O meu também.

Até que nos esvaímos. Tu te pende torto em cima de mim. Rosto suado. Respiração entrecortada. Sorriso na cara. Beija minha bochecha.

Je suis à vous. Tu es à moi. Ensemble, nous sommes seulement notre et ne appartiennent pas à quelqu'un d'autre. Ensemble.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Que tua ausência se torne ausente.



Eu não quero mais estar presa a teus braços. Braços como laços que me atam, me aprisionam, me impedem de sair. Logo eu, óh céus, eu, a pessoa que mais se perdeu nas curvas do teu sorriso de dentes brancos, a pessoa que mais traçou o caminho do teu nariz alinhado até tua boca carnuda. Eu, que infinitas vezes já colei meu corpo no teu, regozijei de prazer extremo com teu corpo colado ao meu, te abracei e te beijei por horas incontáveis até perdemos a noção do tempo. Eu, tu, tu, eu, quantas vezes nos entregamos completamente aos mistérios da carne, aos encantos da paixão, um perdendo-se no chamego do outro, no afago do corpo amado. Mas eu já decidi que não quero mais. Eu não desejo mais para a minha vida uma noite de perdição no fundo dos teus olhos. Nem quero mais teus braços ao redor de mim, tampouco sentir o aroma pelo qual sou apaixonada e que mora nas curvas do teu pescoço. Desejo uma existência sem nunca mais poder te ver, assim te olvidarei (ou assim eu penso) e não sofrerei as duras dores da tua ausência, que toma conta de mim quando não estás perto, que me assalta, que me traz angústia.

Não desejo tua ausência seguido de tua presença, para logo depois tornar-se ausência de novo. Esse ciclo constante de tortura me oblitera e me corrói. Gostaria de não sentir nada, a não ser que de ti eu pudesse sentir tudo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Não existe amor em SP.

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03:40 da manhã. Normal. Eu nunca conseguiria dormir cedo enquanto eu não resolvesse o que há entre eu e você. Ligo o celular esperando alguma mensagem. Não. Nada. Mas eu cansei de esperar em casa. Eu não aguento mais. Eu não posso esperar uma vida inteira, se existe esse tédio que me domina e pega pelos calcanhares, me arrasta pra um poço sem fundo onde não acho nada interessante. Decido sair. Essa cidade nunca dorme.

Não existe amor em SP. Criolo tava certo. Não existe mesmo. Eu achei que tinha encontrado um amor verdadeiro. Mas bom, Criolo já disse que Sâo Paulo é um buquê de flores mortas. Não existe amor em SP. Eu tenho medo do que pode acontecer comigo. Do que possa acontecer com a gente. Essa cidade é suja. Essa correria é louca. Eu aposto que com o tempo, vamos perder a cor e ficarmos cinza que nem essa cidade. São Paulo vai nos tragar, meu bem. São Paulo vai nos comer e nos cuspir fora. Eu tô perdendo minha sanidade aqui. Será que é a cidade ou a falta de você? Eu já nem sei dizer.

Ok. Agora são 04:16. Cadê você? Só vou guardando aqui comigo essa saudade que me pesa como um fardo nas costas. Por que eu não ligo? Eu também posso correr atrás, não? Não. Essa é sua vez. Mas tem algo que eu posso fazer. Eu vou pegar o celular e vou te mandar uma música. Se você me perguntar algo sobre isso, vou dizer que é só uma música. Mas nunca é, né, meu bem? Nunca foi. Entre nós nunca é apenas uma música. É uma coletânea de indiretas cantadas que resolvemos mandar um pro outro. Eu já te mandei I Wanna Be Yours, do Arctic Monkeys. Você respondeu com Are U Gonna Be My Girl, do Jet. Te mandei um cd do Yes. Acho que você entendeu a mensagem.

E de repente você me manda Babe, I'm Gonna Leave You. Mas porquê? Por que me mandar a música mais gostosa do Led Zeppelin? Por que me mandar justamente a música em que não se sabe dizer se a pessoa quer ir embora ou não. Você quer? Você não quer? Se decide. A vida segue e nós vamos precisar fazer isso também, juntos ou separados. Mas só de maldade te mandei Open Your Heart, do Europe. E agora, como você vai responder?

Passam mais 20 e poucos minutos. Não quero fazer cálculo nenhum agora, não agora, não quando eu tô com essa ansiedade feito cobra apertando meu peito, até eu esmagar, até meu peito explodir. 04:46. Eu ainda não consegui sair de casa. Resolvi fazer um café e sentar naquela poltrona legalzona que você me deu. Aquele que gira. Sento na bendita poltrona de um amarelo espalhafatoso, perto o suficiente da janela olhando o tráfego da madrugada. Bem mais lento, mais ainda assim barulhento. O café tá sem açúcar e pra eu não ter que adoçar, acabo bebendo assim mesmo. Tudo bem. Preciso estar bem acordada pra trabalhar o dia inteiro naquela maldita editora. Céus, como eu queria largar tudo isso.

E então, quando eu já tinha esquecido do assunto, o celular toca. 05:03. Mensagem tua. Ok, você mandou mais uma música. Here I Am, do Shaman. Começo a rir meio sem acreditar. Abro a porta e você tá ali. Na minha mente mil perguntas vão se formulando. Você entra e faz 'shhh' enquanto coloco um dedo sobre meus lábios, me silenciando. Pega o celular e coloca uma música do Skid Row. (Sério, Skid Row? Eu nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que escutei isso). A música é Shut Up, Baby, I Love You. Olho pra ti com aquela cara de boba que eu sempre faço quando quero perguntar se é sério aquilo. Você diz que sim. A gente se abraça, e logo nossos corpos estão juntos na cama.

Mas chegou a manhã e temos que ir trabalhar. Mas teu rosto carrega uma expressão de quem quer propor alguma coisa. Te deixo quieto, juntando coragem. Te dou um beijo e me levanto pra me vestir. Você me olha e diz: "Não existe amor em SP." Olha só, Criolo de novo. Eu repito que realmente não existe amor em SP, e te conto minha teoria sobre estarmos nos tornando cinza igual à Cidade Cinza. Tipo aquela música do CPM 22. Você me chama na cama, me olha nos olhos, pega o celular e coloca Vamos Fugir, do Skank. Sério? Que clichê.

Mas vamos, baby. Vamos fugir deste lugar, baby. Um onde a gente possa ser colorido. Um lugar pra podermos nos amar.

Não existe amor em SP.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Pra não dizer que não falei das flores...

Thiago: Escolhe um som pra tocar.

No computador, começa a tocar Geraldo Vandré.
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Thiago: Tá, coloca algo legal.
Anna: Mas é MPB. É mais que legal. É mágico.
Thiago: Nós não somos nossos pais pra ouvir isso, né?
Anna: Não. Eu sou eu pra escutar o que eu quiser, inclusive mpb.
Thiago: Mas mpb é tão... meh.
Anna: Não, nada disso. Mpb é um som calmo. É uma música rica de instrumentos. Não tem nada eletrônico. É um som com uma letra gostosa se ouvir, cantado de um jeito que só sabe cantar quem tem talento ou quem tem sentimento com voz. Como não gostar?
Thiago: Cara, mas tem tanta coisa pra escutar...
Anna: E pra quê escutar as músicas de hoje e não escutar mpb?

Anna se reconforta na cama, puxando uma rosa de um arranjo de cima do bidê.
Thiago: ...
Anna: Meu bem... - e entrega a rosa - pra não dizer que não falei das flores.

E aí Anna vai calada até a cozinha buscar um chá quente, escutando sua boa e velha mpb, cantarolando junto. Thiago sorri e começa a prestar atenção. Ele sabia que tinha perdido. Aquele som era bom. Aquilo era mágico.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Só não me deixe sentado numa poltrona num dia de domingo

Se você disser que eu posso, eu apareço aí sem compromisso. Chego na sua casa pra um café e acabo ficando pra dormir. Afinal, por que não? Tão mais gostoso quando a gente tá junto e a tua mão tá na minha, em perfeita sincronia. Mas tu tens que dizer que me quer. Aí eu corro pro teu lado, fico no sofá contigo enquanto a gente algum filme bobo de comédia romântica. Pode ser? O que importa é que eu quero estar com você. Me chama que eu vou mesmo. Pego um ônibus, atravesso uma cidade e até um rio à nado se for pra te ver. Aguento qualquer dificuldade se o prêmio for seu abraço forte. Se a recompensa for a mistura do cheiro de suor e perfume que fica no seu pescoço.  Me leva pra praia e me pega no colo, do jeito que o Alemão Ronaldo te ensinou. Tenho a felicidade do mundo nas mãos toda vez que você aperta ela e puxa junto ao peito. Aprendo a cozinhar se isso for te fazer feliz. Inventa um motivo pra gente se ver, baby. E se você quiser eu fico a vida inteira. Só não me deixa sozinha por que eu tenho abstinência de nós dois.

P.s.: eu não tô apaixonada e a maioria das coisas que eu escrevo não são verídicas. Além disso, tem o fato de que muitas vezes eu encontrei um texto meu na internet e resolvi trazer para cá. Ou seja: 90% dos textos não são atuais e nem são verídicos. Na hora de escrever eu sou invadida por algum sentimento que nunca tem relação com ninguém (já teve e pode ser que tenha novamente algum dia, mas por enquanto não). Então é isso. Agora tô mais ativa no blog, pra escrever todo o tipo de texto pra vocês.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A minha fumaça era a fumaça da cidade.

Decidi acender um cigarro pra fazer minha fumaça se juntar à poluição da cidade. A parte oeste do céu brilhava em tons de rosa e laranja, aqueles doces e lindos tons de uma cidade prejudicada pela poluição. O sol incandeava, aquela grande e gorda bola laranja de fogo. Do outro lado da avenida cheia de carros barulhentos e motoristas impacientes, eu via ele passar com o skate na mão. Assim que me viu, me deu um tchauzinho e me olhou com aqueles olhos tristes de saudade. Saudade do meu corpo junto ao dele naquela cama de solteiro. Vontade de nos ver de novo pelo espelho, deitados na cama e abraçados. Eu odeio despedidas, por um acaso eu já falei isso? Ele me deixou na parada de ônibus, a enorme mochila nas minhas costas. Beijou-me o rosto, pois sabia que se me beijasse na boca nenhum dos dois iria pra casa.

Fiquei aqui fumando sem saber se eu estava tonta do cigarro depois de 6hrs de jejum ou se ainda estava com a presença - e agora ausência - dele. A espera pelo ônibus parecia interminável agora que ele não estava mais aqui. A vontade era correr na direção contrária, mesmo que isso significasse ficar naquela zona de poluição que é a região metropolitana. Ou de ter ele na serra.

Malditas sejam as aulas que teríamos à noite. Maldito seja o trabalho no outro dia. Eu só queria ficar com ele, em um lugar mais calmo, de preferência. Eu queria o sexo com ele e o abraço preguiçoso no fim de tudo. Corpos exauridos. Almas satisfeitas.

domingo, 17 de agosto de 2014

I miss you, but I don't want you here anymore


Às vezes eu esqueço o quanto é bom escrever. Mas aí eu sempre sou tomada por essa onda de sentimentos que tenho medo de explodirem dentro de mim. Minha melhor saída, a perfeita válvula de escape, sempre foi escrever. Sobre mim, sobre o mundo, sobre ti, sobre tudo. Mas aí parei para pensar quando tinha sido a última vez que eu tinha escrito algo sobre ti. Tu foi embora dos meus textos. Tua presença lentamente foi extinguindo-se dos meus dedos, enquanto a mente e o coração se esforçavam para te dissolver da memória. Como podemos ter tomado rotas tão diferentes, se éramos tão iguais? Se éramos um só, um par?


Eu sempre nego essa linha de pensamentos, mas hoje não deu. Hoje eu lembrei de tudo que eu amava e odiava em ti e em nós. Me coloquei na linha de fogo e analisei algumas coisas que eu vivia fazendo errado também, afinal, quem sou eu para achar que eu estava certa? Não, eu não estava. Nem tu. Nem ninguém. Não sei se precisávamos estar certos, mas quer saber? Às vezes eu só preciso do teu abraço. Desses que fazem parar o mundo. Que fazem interromper os segundos. O mundo sem você é facilmente maleável, mas de vez em quando eu sinto falta de te ter e ter todos os problemas que tu sempre trazia contigo. Só pra te ter.


Acaba que a vontade sempre passa. No fim das contas eu chego à conclusão que eu não sou forte o suficiente (ou não sou mais tão otária) pra voltar e tudo acontecer de novo. Meu corpo e mente estão exauridos de coragem pra tentar tudo mais uma vez, chorar de novo pelos mesmos motivos. Pra passar por aquela merda toda só pra te ter. Eu gosto de ficar assim, só lembrando as partes que não me fazem chorar. As partes que me fazem rir. E eu aqui escutando Pijama Show. Algo que eu nunca fiz com você, mas que sempre me fazia lembrar de ti.


Toca R.E.M. E eu fico pensando nesse meu defeito e/ou qualidade de só conseguir escrever com música. Mas dessa vez não escolhi. Dessa vez não foi proposital. Só comecei a pensar em ti e puf: resolvi escrever. É que na verdade eu esqueço o quanto é bom afundar os dedos no teclado do notebook e digitar o que a mente manda. É que na verdade eu começo a lembrar de você. É que na verdade eu sei por que é tão difícil te esquecer. Eu roubei de você uma parte sua e ela vai estar sempre aqui comigo. Levei de ti uma das suas melhores partes: aquela que me fez sorrir, aquela que me fez te amar. Aquele teu sorriso, sabe? Aquele que era só meu. Era meu e levei pra mim. Guardo junto ao peito e lembro do quanto era gostoso aquele sorriso largo de dentes brancos, nariz comprido olhos apertados, cabelos cacheados. Guardo no peito e vou levando a saudade, que não vai mais ser matada, por ser muito boa de sentir.


Sinto que vou escrever o mundo. Eu já deveria ter parado, mas o fluxo segue. As palavras só vão saindo. Acho que sinto a tua falta, porém não te quero mais. O baile segue, de qualquer forma.


Mas deixa assim que tá gostoso. Essa saudade do que eu nunca mais quero ter.

sexta-feira, 14 de março de 2014

I've dreamt about you nearly every night this week



Sonhei com você aqui. Aliás, como não sonhar? É aquela fase em que você passa o dia pensando em alguém, e inevitavelmente, acaba sonhando com essa pessoa. É desses truques da mente pra não te deixar esquecer da pessoa nem por um segundo, nem durante seu sono. E aí dá aquela vontade de quando acordar, olhar pro lado e ver que não é um sonho e que a pessoa tá ali do seu lado, se perguntando por que você sorri enquanto dorme.

É que cada vez que eu sonho contigo é uma delícia, e toda vez que eu acordo e não te vejo ali é uma tortura. Fico torcendo para essa meretriz que é o tempo girar rápido os ponteiros do relógio da vida, girar rápido o suficiente pro mundo ter um você e eu mais próximos. E eu gosto de você por que você me acompanha no bloco do eu e você e nós dois não mais sozinhos. E eu gosto de te ter por que me faz feliz te ver feliz.

Corre depressa, tempo. Quero ter o meu amor e deixar ele tomar conta de mim.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Diálogo de bate e volta



- Vem cá, você não vai me dar um beijo?

- Por que eu deveria?

- Ué, você me ama.

- Quem te disse isso?

- Então... você não me ama?

- Não, não amo. Mas pra você parar de me encher o saco, vou te dar um beijo.

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- Escuta, você me faz um suco?

- Suco de quê?

- De laranja.

- Blergh, odeio laranja, você sabe disso.

- Mas quem vai beber o suco sou eu.

- Ué, então vai lá fazer.

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- Ei, desculpa, tá?

- Ué, você pedindo desculpas?

- É que eu tõ chata. Ranzinza.

- Isso você sempre é. Mesmo assim eu te amo.

- Obrigada.

- Eu digo que eu te amo e você fala "obrigada"? Pôxa...

- Obrigada por me aguentar. Obrigada por me amar. E eu te amo também.

- Ah... Agora sim.