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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Minha metralhadora cheia de mágoas.

"Dias sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão..."

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De-sâ-ni-mo.

Eis o meu atual estado de humor. Não tenho vontade de fazer nada. Não quero viver nada. Vou por aí me arrastando pelos cantos, esperando algo que mude essa rotina enfadonha, que dê uma girada nas coisas e me anime a vida.

O mesmo café forte de sempre. Eu decidi até cortar o açúcar do café, sabia? Assim fica amargo igual ao meu humor. Tem dias que é melhor nem acordar. Quisera eu ter o direito de dormir por tempo indeterminado. Dormir, sim. O cérebro não gira tão loucamente em volta de pensamentos quando estamos dormindo.

Pudera eu ter aquele tratamento de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Selecionar as memórias pra esquecer. O problema é que nós, seres humanos, somos máquinas muito desenvolvidas. Eu queria ser um computador. Quando a memória estiver cheia, é só deletar alguns arquivos que já não servem mais pra nada.

Mas Cartola já dizia que o mundo é um moinho. O sol nasce todos os dias. E todos os dias ele se põe. Os romances se acabam, mais criança nascem, vidas se perdem e o mundo continua seu ciclo ininterrupto.

A continuidade das coisas é o que me espanta.

Mas eu sei que vamos continuar também.

P.s.: Cazuza e Cartola, dois mestres da música brasileira: obrigada por me inspirarem e cantarem exatamente o que eu sinto.

terça-feira, 10 de março de 2015

Te puedo ver en mi, me puedo ver en vos

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Chove e eu escuto Inmigrantes. "Caen las hojas, cae la lluvia, cae tu ropa en mi cama... todo cae." Impossível não lembrar dessa mistura de eu e você que somos nós dois. E mais uma vez, me pego desejando aquela noite de chuva em que nada seria capaz de me esquentar mais que teu corpo. Nem o cobertor mais quentinho. Nem a bebida mais forte. Só teu corpo ao lado do meu, tuas pernas entrelaçadas nas minhas, teu sorriso bonito na minha direção.

Mas agora chove e chove, e não para de chover. E eu aqui, querendo deitar com você, querendo preencher todo o espaço de um colchão de solteiro com mãos, braços e abraços de nós dois. O planeta Terra deu sete voltas completas ao redor do Sol e eu continuo desejando você. Quantas estações vieram e foram embora e eu carreguei comigo essa saudade que nunca esvaziava meu peito. Vários solstícios de inverno e querer tua presença sempre foi uma constante. Te sentir, te admirar. Deitar em qualquer lugar contigo e traçar linhas nas tuas costas com meus dedos. Decorar tuas expressões.

"El alma se llenó" sempre será nossa música. Por que é sempre amor, mesmo que mude. E nós mudamos. Mais de cinquenta mil horas passaram e nos fizeram mudar. É sempre amor mesmo que alguém e esqueça o que passou. Mas nós não esquecemos. Tu não esquece o calor dos meus braços. Eu não esqueço teus carinhos reconfortantes.

Continua chovendo. Toca Bidê ou Balde e Inmigrantes. Sim, sempre serão nossas músicas. E sim, continua chovendo e vai chover muitos dias ainda. Mas nos próximos dias de chuva assim, eu quero estar com você. Sorrindo com teu sorriso. Quentinha nos teus braços. Feliz de coração.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Não existe amor em SP.

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03:40 da manhã. Normal. Eu nunca conseguiria dormir cedo enquanto eu não resolvesse o que há entre eu e você. Ligo o celular esperando alguma mensagem. Não. Nada. Mas eu cansei de esperar em casa. Eu não aguento mais. Eu não posso esperar uma vida inteira, se existe esse tédio que me domina e pega pelos calcanhares, me arrasta pra um poço sem fundo onde não acho nada interessante. Decido sair. Essa cidade nunca dorme.

Não existe amor em SP. Criolo tava certo. Não existe mesmo. Eu achei que tinha encontrado um amor verdadeiro. Mas bom, Criolo já disse que Sâo Paulo é um buquê de flores mortas. Não existe amor em SP. Eu tenho medo do que pode acontecer comigo. Do que possa acontecer com a gente. Essa cidade é suja. Essa correria é louca. Eu aposto que com o tempo, vamos perder a cor e ficarmos cinza que nem essa cidade. São Paulo vai nos tragar, meu bem. São Paulo vai nos comer e nos cuspir fora. Eu tô perdendo minha sanidade aqui. Será que é a cidade ou a falta de você? Eu já nem sei dizer.

Ok. Agora são 04:16. Cadê você? Só vou guardando aqui comigo essa saudade que me pesa como um fardo nas costas. Por que eu não ligo? Eu também posso correr atrás, não? Não. Essa é sua vez. Mas tem algo que eu posso fazer. Eu vou pegar o celular e vou te mandar uma música. Se você me perguntar algo sobre isso, vou dizer que é só uma música. Mas nunca é, né, meu bem? Nunca foi. Entre nós nunca é apenas uma música. É uma coletânea de indiretas cantadas que resolvemos mandar um pro outro. Eu já te mandei I Wanna Be Yours, do Arctic Monkeys. Você respondeu com Are U Gonna Be My Girl, do Jet. Te mandei um cd do Yes. Acho que você entendeu a mensagem.

E de repente você me manda Babe, I'm Gonna Leave You. Mas porquê? Por que me mandar a música mais gostosa do Led Zeppelin? Por que me mandar justamente a música em que não se sabe dizer se a pessoa quer ir embora ou não. Você quer? Você não quer? Se decide. A vida segue e nós vamos precisar fazer isso também, juntos ou separados. Mas só de maldade te mandei Open Your Heart, do Europe. E agora, como você vai responder?

Passam mais 20 e poucos minutos. Não quero fazer cálculo nenhum agora, não agora, não quando eu tô com essa ansiedade feito cobra apertando meu peito, até eu esmagar, até meu peito explodir. 04:46. Eu ainda não consegui sair de casa. Resolvi fazer um café e sentar naquela poltrona legalzona que você me deu. Aquele que gira. Sento na bendita poltrona de um amarelo espalhafatoso, perto o suficiente da janela olhando o tráfego da madrugada. Bem mais lento, mais ainda assim barulhento. O café tá sem açúcar e pra eu não ter que adoçar, acabo bebendo assim mesmo. Tudo bem. Preciso estar bem acordada pra trabalhar o dia inteiro naquela maldita editora. Céus, como eu queria largar tudo isso.

E então, quando eu já tinha esquecido do assunto, o celular toca. 05:03. Mensagem tua. Ok, você mandou mais uma música. Here I Am, do Shaman. Começo a rir meio sem acreditar. Abro a porta e você tá ali. Na minha mente mil perguntas vão se formulando. Você entra e faz 'shhh' enquanto coloco um dedo sobre meus lábios, me silenciando. Pega o celular e coloca uma música do Skid Row. (Sério, Skid Row? Eu nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que escutei isso). A música é Shut Up, Baby, I Love You. Olho pra ti com aquela cara de boba que eu sempre faço quando quero perguntar se é sério aquilo. Você diz que sim. A gente se abraça, e logo nossos corpos estão juntos na cama.

Mas chegou a manhã e temos que ir trabalhar. Mas teu rosto carrega uma expressão de quem quer propor alguma coisa. Te deixo quieto, juntando coragem. Te dou um beijo e me levanto pra me vestir. Você me olha e diz: "Não existe amor em SP." Olha só, Criolo de novo. Eu repito que realmente não existe amor em SP, e te conto minha teoria sobre estarmos nos tornando cinza igual à Cidade Cinza. Tipo aquela música do CPM 22. Você me chama na cama, me olha nos olhos, pega o celular e coloca Vamos Fugir, do Skank. Sério? Que clichê.

Mas vamos, baby. Vamos fugir deste lugar, baby. Um onde a gente possa ser colorido. Um lugar pra podermos nos amar.

Não existe amor em SP.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A música que me satisfaz.


Música. Ah, a música. Quantos textos e músicas já não foram dedicados a essa coisa maravilhosa que tem o dom de mexer com nosso ânimos? Eu não sei viver sem música. Música é parte de mim desde... Sempre. Não houveram muitas ocasiões em que passei um dia inteiro sem ouvir pelo menos uma música. E nos raros casos em que isso aconteceu, eu fui dormir com o pensamento de que o dia tinha sido perdido. Que tinha sido em vão. E é isso que acontece quando fico sem escutar música: a vida fica sem sentido.

Música é algo que te envolve. Tem música que te anima e tem música que te destrói. Tem música que você escuta e lembra de coisas que você achava que tinha esquecido. Música é um negócio mágico, cara. É o melhor remédio natural para a maioria das coisas. Já pensou viver sem música? Já pensou como seria se todos os toques do celular fossem iguais? E se você não pudesse contar com aquela música pra explicar como você se sente? Complicado, né? Seria horrível.

Então, cada vez que eu escuto uma música que eu gosto, agradeço mentalmente quem a criou. Agradeço por que eu posso escutar. Fecho os olhos e sinto a vibe da música, me delicio na voz, me perco nos riffs de guitarra.. É mágico. É energia pura percorrendo seu corpo, é um sentimento de satisfação que preenche cada pedaço da sua alma. Música é isso. Acalento pra alma. Mesmo as músicas mais pesadas.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Quelqu'un M'a Dit.

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Me falaram que o tempo não é exatamente um substantivo masculino, e sim um substantivo feminino, por ser uma meretriz. É, uma meretriz. Dessas que cobram caro por poucas horas de prazer, que te levam não só o seu dinheiro, mas sim sua energia. Mas o tempo é uma meretriz que faz tão bem o seu trabalho que as horas passam rápido. O tempo é uma meretriz, sim, e das boas.

De repente eu vi que minhas irmãs que antes tinham 45cm e agora já estão em idade de entrar na creche, que aprenderam a falar "piscina" quando queriam se refrescar no meio do calorão. De repente vi que já vou entrar no 3º semestre da faculdade, que já tem um ano que eu tô morando sozinha, me mantendo sozinha e longe de casa. De repente vi que já tenho mais de duas décadas de vida e que wow, vivi tanta coisa. De repente vi que já passou de um ano que eu abandonei o Ceará e deixou bons amigos lá, amizades essas que a meretriz que é o tempo não conseguiu apagar ou destruir, e acho que nem vai.

O tempo voa, e quando se vê, já foi. E aí ficam só as fotos, as lembranças e alguns sentimentos. Mas o tempo é uma peneira. Essa meretriz é uma peneira. Deixa passar algumas coisas que vão se embora e esvaem-se por aí, não te pertencem mais. Deixa algumas coisas que tem que ficar. Mas quem controla a peneira-tempo-meretriz somos nós. Nós que filtramos o que fica de bom e ruim, nós que temos o poder de aproveitar as coisas boas e somos nós quem temos a chance de viver o que há pra viver enquanto temos a oportunidade.

Depois, meu bem, o tempo-meretriz-peneira vira vento e leva tudo embora e só deixa resquícios. Viva, ame e aproveite intensamente. É o que eu tenho a dizer hoje. E é o que eu tô levando pra vida, viu? Cada dia mais e mais.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Protège-moi


Preciso de segurança. Preciso de colo, preciso de conforto. Preciso fugir de mim e esbarrar em ti. Preciso encontrar minha casa em seus braços, um carinho em seu abraço. Preciso desesperadamente me sentir segura do mundo lá fora, que me amedronta, que açoita os meus medos e me perturba. Quero esse teu olhar seguro. Essa tua cara de quem sempre sabe o que fazer. De quem sempre tá ali pra me defender. Eu que sou tão independente, tão segura de mim mesmo, preciso do teu abrigo. É o que eu quero, é o que eu preciso.

P.s.: isso não foi escrito pensando em ninguém, antes que perguntem.