Ela ligou o rádio e naquela hora tocava George Harrison. Ela não se importaria se estivesse tocando algo ruim, mas uma parte dela se encheu de gratidão quando ela viu que era uma música boa. Calçou as pesadas botas com preguiça, puxando os zíperes devagar. É como se ela não tivesse nada mesmo para fazer. Ela não se importava com atrasos. Ultimamente ela não se importava mais com nada. Nada valia sua atenção. Nada exigia sua preocupação.
Passou em uma padaria ali perto e comprou um café com leite. Só que tava doce demais. Ela acabou jogando fora, reclamando de ter gasto dois reais com aquilo. Merda. Ela odiava que o café com leite não estivesse forte ou adoçado o suficiente. Duas garotas passaram por ela conversando animadamente. Ela já estava de mau humor. Quis mandar as duas à merda. Quis mandar elas calarem a boca. Mas ela não mandava em nada e nem em ninguém.
Decidiu ela mesma andar de boca fechada até encontrar ele. Mas logo ali estava ele, na praça, encostado na árvore com aqueles jeans desbotado. Ela respirou fundo, decidida a fazer o que tinha que fazer. Chegou ao lado dele e chamou-o pra sentar no banco ali próximo. Ele olhou pra ela e viu sua expressão de quem causaria confusão, como a de um cataclisma. Ele sabia que não poderia evitar se acidentar na destruição que ela causaria.
Então ela disse que eles não eram mais um casal. Eram só duas pessoas juntas que tinham medo de ficar sozinhas. Eram dois entes que não mais se amavam, mas que sentiam que de alguma forma dependiam um do outro. Mas aquilo não era amor, aquilo era medo. Era escravidão. E o que ela estava fazendo com ele, não era um término. Era um teste de sobrevivência. Ela queria ver se ambos seriam capazes de enfrentar o mundo sozinhos. E ele tinha medo que ambos falhassem.
E então ela saiu e foi caminhando, mas não pra casa. Na mão, um aparelho de mp3, que conectado a fios, tocava Jethro Tull nas orelhas dela. Na bolsa, um livro do Stephen King. No coração um vazio. Na cabeça uma oportunidade de aprender.
Mostrando postagens com marcador girl. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador girl. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Só não me deixe sentado numa poltrona num dia de domingo
P.s.: eu não tô apaixonada e a maioria das coisas que eu escrevo não são verídicas. Além disso, tem o fato de que muitas vezes eu encontrei um texto meu na internet e resolvi trazer para cá. Ou seja: 90% dos textos não são atuais e nem são verídicos. Na hora de escrever eu sou invadida por algum sentimento que nunca tem relação com ninguém (já teve e pode ser que tenha novamente algum dia, mas por enquanto não). Então é isso. Agora tô mais ativa no blog, pra escrever todo o tipo de texto pra vocês.
Marcadores:
all we need is love,
amor,
antigo,
boy,
chronicle,
Crônicas e Contos,
falling in love,
garota,
garoto,
girl,
in love,
l'amour,
love,
love me tender,
old,
paixão,
tempo,
text,
texto,
time
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Sobre medos.
- Lucas, eu tô com tanto medo.
- Medo de quê, Cris?
- Medo de viver. De sair de casa e me arriscar. A vida é tão assustadora, sabe? Queria só me esconder em uma bolha onde eu pudesse ver o mundo, mas ficar trancada ali dentro.
- Medo de viver? Mas você vive. Você respira. Come, dorme, tem necessidades físicas.
- Não vivo. Eu sobrevivo. Eu tenho medo de ir em uma balada, conhecer um cara legal, dar meu número de telefone e ele me ligar. Aí a gente sai, fica, começa a namorar, ficamos anos juntos e poof: acaba. Tenho medo de sofrer novamente por amor. Não dá pra eu ficar sozinha?
- Claro que dá, boba. Mas é isso que você quer? O pensamento de sofrer por amor te assusta tanto assim?
- Não é só isso. Eu tenho tanto medo de mudar de emprego. O meu é uma merda, mas sabe, me mantém. Eu sei o que fazer lá. Tenho medo de ir pra outro e ficar perdida. Tenho medo de conhecer uma pessoa, me tornar amiga dela, e depois descobrir que ela não é tudo aquilo que eu pensava. Tenho medo de ficar velha e sozinha. Tenho medo toda vez que meu celular toca e pode ser alguém me ligando e falando que um amigo ou familiar morreu. Tenho medo de pegar chuva e ficar doente. Tenho medo de por injustiça do destino, ser presa. De ser a pior da turma. De me olhar no espelho e não gostar do que vejo. Enfim, tenho medo de viver.
- É... eu também.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
E era uma vez
Marcadores:
chronicles,
crônica,
Crônicas e Contos,
dreams,
garota,
girl,
meus,
pessoal,
photo,
por do sol,
sonhos,
sun,
sundown,
text,
texto
Assinar:
Postagens (Atom)