quarta-feira, 30 de julho de 2014
Mankind has got to know his limitations
Mas não dava. Eu entendi que aquele era o meu limite. Pelo menos naquele momento. Quem sabe em um outro dia desses em que o vento não chacoalhasse tanto o meu corpo. Claro que vou subir até o fim daqui a pouco. Mas ontem não. Vai ser em um dia de lua nova, bem assim.
Mas foi bom internalizar sozinha na metade da torre. Ter que conversar comigo mesmo. Os cinco janelões te envolvendo. As luzes das estrelas te encarando. Você e só você. O vento bruto e assustador, te lembrando que para tudo se tem uma motivo e uma razão. É necessário olhar para dentro. Se auto analisar. Pensar em seus medos e suas coragens. Mas aquele céu, ah! Aquele céu" Mágico, infinito e brilhante. Bom para se trancar em si mesmo e olhar para dentro, sendo iluminada por aquele céu. E aí depois de se explorar por um tempo que parecia muito e ao mesmo tempo pouco, seus amigos voltam.
Mas depois de descer a torre, plenos por estarem em contato com o céu (ok, e com a radiação), é decidido que a trip não deve acabar ali. E aí se anda por uma estrada de chão batido. E aí se chega ao lago. O lago mágico, o mágico lago. Você olha pro céu e vê várias estrelas cadentes de relance. Observa algumas de canto de olho. Joga a cabeça pra trás, olha pra cima e vê a constelação de Escorpião. Linda, reluzente e clara. Claríssima.
É. Existem noites em que a magia não está no alto de uma torre. Está no meio dela.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
As pequenas coisas.
Gosto de vir pra casa da minha mãe. Gosto de fugir um pouco da minha solidão e me encontrar na presença das gêmeas, com o meu irmão se tornando mais alto que eu, mesmo 9 anos mais novo (e eu nem sou baixinha, juro!).
Mas tem pequenas coisas que eu gosto resumidas, que são:
- quando eu acordo, geralmente é com a Lili me olhando e querendo deitar comigo. Sempre sempre sempre ela faz isso, traz o paninho dela e vem deitar comigo na cama.
- gosto de deitar com a Thaíssa e ela encosta a testa e o nariz na minha testa e nariz e fica me olhando, de olhão arregalado. A Thaíssa tem um jeito todo dela, só dela, de se expressar.
- gosto de como minha mãe sempre faz bolo antes de eu voltar pra casa. É tipo uma coisa pra dizer "fica, vai ter bolo".
- a Thaíssa sempre me estranha nos primeiros dez minutos que eu venho pra cá depois de um mês ou mais. Se eu tenho chegar nela, ela faz birra e chora. Aí de repente tô no sofá, ela sobe no sofá e se deita nas minhas pernas. É sempre a birra inicial de ficar com raiva de mim por eu ter ficado muito tempo longe.
- a Lissandra agora tá aprendendo a falar, e com a Dora, a Aventureira. E aí ela começa a contar: "Um, dois, three, four, cinco". É uma graça.
- a Thaíssa é mais quieta e introspectiva ao passo que a Lissandra é bem mais sociável. E mesmo assim, quando ficam sozinhas, a gente só escuta as risadas delas brincando. Um amor <3
Essas pequenas coisas me fazem amar muito essas pequenas, essas viagens pra cá. Quero lembrar desses momentos quando eles forem embora, quando elas ficarem grandonas. Quero eternizar.
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terça-feira, 15 de julho de 2014
Mas era só mais um.
Decidiu me deixar em casa ao fim da noite. Perguntou se eu morava longe dali, retruquei indagando se ele me deixaria em casa mesmo se eu morasse longe. Ele tragou mais um pouco do cigarro e abriu um sorriso. "Lógico", ele disse. "O papo está muito bom pra você morar perto. Eu não queria encerrar o papo. Fiz o caminho mais longo pra casa. Era uma infinidade de assuntos sem fim. Lembro que em algum momento falei alguma coisa engraçada na hora que ele tava levando a fumaça pro pulmão. Ele abriu a boca e riu, a fumaça saiu. Achei aquilo tão bonito. Encantei-me um pouco mais.
Mesmo andando devagar e enrolando pra chegar em casa, ainda havia papo. Não sei como e nem por que, mas ainda havia dentro de nós várias questões a ser tratadas. Pensei em deixar algum assunto pra outra noite, mas ele pediu pra entrar e conversarmos mais. Apenas sorri e abri a porta, convidando ele pra subir as escadas e entrar no meu apartamento. "A sala é pros fumantes", eu avisei. Ele logo se atirou em um dos sofás e eu fui pegar alguma bebida. "Não sei você", eu falei, logo dizendo: "mas eu prefiro um vinho." Ele perguntou o motivo de eu preferir vinho e eu falei que ia me esquentar. Ele me convidou pra sentar no sofá, sentei junto com ele. E aí todo o assunto pareceu acabar. Só ficamos abraçados, fumando. Uma aura de fumaça envolvia a gente. De repente eu não sentia mais frio. De repente ele entrou na minha vida e não foi só mais um. Esse ficou. E ainda fica.
sábado, 5 de julho de 2014
Sobre aquela vontade de escrever...
Ter 21 anos é querer viver. Eu quero viver. Então, no meu tempo livre, eu vivo.
É foda não ter internet em casa pra poder publicar seus textos na hora em que se quer. Tenho um monte de textos preparados e guardados, porém tô na faculdade usando o computador daqui e não posso postar.
Querido blog e queridos leitores: peço um pouco de paciência. Não irei abandoná-los. Vocês ainda vão ter que aguentar muito das minhas bobagens aqui.
Muito obrigada por todo o incondicional apoio.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Wherever tomorrow brings, I'll be there
With open arms and open eyes, yeah.
Saio caminhando por aí nas noites geladas. Desses dias em que a fumaça do cigarro se mistura à cerração que mora no ar da minha cidade. Dessas vezes em que você termina de ler um livro do Kerouac e quer sair andando por aí. E aí bate aquele desejo de ter uma linha de trem na sua cidade. Pra quê? Pra andar por entre os trilhos. Pra deitar nos trilhos até sentir eles tremendo e bater aquele medo, levantar correndo, sair dali e ver o trem passar. Mas eu também gosto de calma. Eu gosto também de sentar no alto de algum morro e ficar fumando meu cigarro enquanto observo uma gorda lua. Dessas luas enormes, sabe? Eu gosto. E aquele vento frio batendo no pescoço, fazendo arrepiar os pêlos da nuca. E eu gosto do frio. Principalmente daquele frio seco.
E a noite me agrada. Principalmente aquelas noites claras em que se dá pra ver a intensidade do brilho das estrelas. Mas minha alma quer andar. Palmilhar por aí. Não sei para onde, não sei por onde. O cérebro sai do comando e deixa a alma me guiar. A alma toma conta das minhas pernas e eu vou caminhando sem destino, sem direção. Acendo outro cigarro. Combustível. Deixo o vento me levar. Deixo a alma me guiar. É estranha e boa a sensação de plenitude de quando o corpo trabalha e a mente se aquieta. Enquanto isso, mais um cigarro. Vou caminhando por uma rua que nunca vi. Não sei onde vai dar. Acho que volto pra casa quando acabar a carteira de cigarros. Quando o corpo cansar. Quando a mente estiver satisfeita das caminhadas em que as pernas me levam.
Mas volto com a alma leve. Livre. E ao mesmo tempo, plena. Cheia de coisas boas. E livre das ruins. Volto com o pulmão cheio de fumaça, de nicotina. Na boca, o gosto doce que o cigarro deixa nos lábios. Nas bitucas do cigarro, marcas do meu batom vermelho. Volto pra casa e tem um livro de algum poeta beatnik em cima da cama. Mais um livro que vou ler, e quando terminar, onde vou bater? Não sei. Só sei que pra onde eu for, terei um bom casaco preto e no bolso um isqueiro e uma carteira de cigarros. E tô pronta pra outra.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
A música que me satisfaz.
Música. Ah, a música. Quantos textos e músicas já não foram dedicados a essa coisa maravilhosa que tem o dom de mexer com nosso ânimos? Eu não sei viver sem música. Música é parte de mim desde... Sempre. Não houveram muitas ocasiões em que passei um dia inteiro sem ouvir pelo menos uma música. E nos raros casos em que isso aconteceu, eu fui dormir com o pensamento de que o dia tinha sido perdido. Que tinha sido em vão. E é isso que acontece quando fico sem escutar música: a vida fica sem sentido.
Música é algo que te envolve. Tem música que te anima e tem música que te destrói. Tem música que você escuta e lembra de coisas que você achava que tinha esquecido. Música é um negócio mágico, cara. É o melhor remédio natural para a maioria das coisas. Já pensou viver sem música? Já pensou como seria se todos os toques do celular fossem iguais? E se você não pudesse contar com aquela música pra explicar como você se sente? Complicado, né? Seria horrível.
Então, cada vez que eu escuto uma música que eu gosto, agradeço mentalmente quem a criou. Agradeço por que eu posso escutar. Fecho os olhos e sinto a vibe da música, me delicio na voz, me perco nos riffs de guitarra.. É mágico. É energia pura percorrendo seu corpo, é um sentimento de satisfação que preenche cada pedaço da sua alma. Música é isso. Acalento pra alma. Mesmo as músicas mais pesadas.
domingo, 15 de junho de 2014
Filha do vento
Eu gosto do vento. Da sensação do vento ao tocar minha pele. Suave e ao mesmo tempo marcante. Eu gosto de quando o vento bate forte, de arrepiar pele, de bagunçar o cabelo, de fazer fecharem os olhos. Gosto de abrir e fechar a mão e apreciar a sensação do vento fugindo descontroladamente de minhas mãos, como se nada pudesse o controlar. E nada pode mesmo. O vento tem uma vida que só nele floresce. Essa força natural que desateia nós e destelha casas. Imponente e curiosa. Intensa ou generosa. Aflição em dias de chuva, alívio nos de calor.
Eu gosto do vento. Gosto do barulho que ele faz quando o carro sai cortando a estrada e dá de encontro a ele. Gosto de imaginar a forma do vento. A cor do vento. Gosto de ouvi-lo chacoalhar enfeites de portas. Gosto do tremular que ele causa ás folhas de árvores. Do barulho que o vento faz quando entra na madeira e a faz ranger, como se a casa inteira reclamasse da artrite. O vento que sacode o vestido da moça. Que faz voar a capa do velho. Esse vento poderoso que gera energia com os parques eólicos. Éolos. Deus dos ventos. Controlador dessa força desatinada que parece não ter dono e nem direção.
Mas eu gosto de abrir meus braços contra o vento. Eu gosto de sentir o vento batendo em minhas costas, em minhas costelas. Eu gosto de sentir meu corpo bambear para frente e para trás com essa força, de sentir o corpo ameaçar desequilibrar mediante essa força. Eu amo o som do vento dobrando a esquina, fazendo a curva, e vindo de encontro até a mim. Eu quero a força e a serenidade do vento. Pudera eu voar para ter o vento como constante companheiro e amigo. O vento me agrada. O vento me acalma. O vento me contenta. O vento, ah, ele me tenta.