Mostrando postagens com marcador vento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vento. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de junho de 2014

Filha do vento



 

Eu gosto do vento. Da sensação do vento ao tocar minha pele. Suave e ao mesmo tempo marcante. Eu gosto de quando o vento bate forte, de arrepiar pele, de bagunçar o cabelo, de fazer fecharem os olhos. Gosto de abrir e fechar a mão e apreciar a sensação do vento fugindo descontroladamente de minhas mãos, como se nada pudesse o controlar. E nada pode mesmo. O vento tem uma vida que só nele floresce. Essa força natural que desateia nós e destelha casas. Imponente e curiosa. Intensa ou generosa. Aflição em dias de chuva, alívio nos de calor.


Eu gosto do vento. Gosto do barulho que ele faz quando o carro sai cortando a estrada e dá de encontro a ele. Gosto de imaginar a forma do vento. A cor do vento. Gosto de ouvi-lo chacoalhar enfeites de portas. Gosto do tremular que ele causa ás folhas de árvores. Do barulho que o vento faz quando entra na madeira e a faz ranger, como se a casa inteira reclamasse da artrite. O vento que sacode o vestido da moça. Que faz voar a capa do velho. Esse vento poderoso que gera energia com os parques eólicos. Éolos. Deus dos ventos. Controlador dessa força desatinada que parece não ter dono e nem direção.


Mas eu gosto de abrir meus braços contra o vento. Eu gosto de sentir o vento batendo em minhas costas, em minhas costelas. Eu gosto de sentir meu corpo bambear para frente e para trás com essa força, de sentir o corpo ameaçar desequilibrar mediante essa força. Eu amo o som do vento dobrando a esquina, fazendo a curva, e vindo de encontro até a mim. Eu quero a força e a serenidade do vento. Pudera eu voar para ter o vento como constante companheiro e amigo. O vento me agrada. O vento me acalma. O vento me contenta. O vento, ah, ele me tenta.