segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Forteintensoeprazeroso.



É que ela sempre fica ardendo de desejo essas horas da noite. E quem era eu pra dizer que não, quando minha pele tão desesperadamente precisava da dela, do seu calor e da sua respiração desritmada no meu ouvido. E as suas unhas cravando a minha pele cada vez que meu corpo se impulsionava com mais força de encontro ao dela, e aquela cara de quem quer sempre mais, aquela boca dela gritando e eu ficando louco. E é isso todo dia e é assim que tem que ser. Forteintensoeprazeroso.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Consumismo exacerbado.

Todos nós somos seres imensamente consumistas. Só tentamos justificar nosso consumismo com algo que faça valer, pelo menos para nós. "Ah, eu gosto de viajar. Conhecer gente nova, lugares novos, viver experiências novas.  Com isso que gasto meu dinheiro." BAN! CONSUMISMO! Justificamos nosso consumo em experiências que façam ter algum valor para nós mesmos. "Mas eu só compro livros! Isso é‚ cultura, meu bem. Não é esse consumismo exacerbado. São livros! Gasto com cultura." Outro caso patético de consumismo.
O problema é esse mundo que nos empurra tudo goela abaixo. E tudo tem preço nesse mundo cruel. Pagamos caro pra viver e pagamos ainda caro por essas propagandas que estão tão encarnadas nas ruas das cidades que nos esquecemos como as cidades eram antigamente. A culpa não é nossa. A modernidade nos bombardeia lojas em cada esquina, botequins, farmácias, serviços em geral. Estamos infestado com tudo que é pago. Tudo está  no mercado, tudo exige pagamento. Tudo. Você precisa de fraldas para o seu bebê, você precisa de comida pra viver, você precisa de uma moradia e pra isso precisa dos serviços pagos de água e energia. Tudo isso tem preço e tudo isso custa caro.
E a¡ você tem que trabalhar. Você precisa de dinheiro. Tudo é pago, hoje em dia. Você se sujeita à um serviço medíocre que no fim do mês te dê alguma garantia para que você possa comprar mais. Você está lendo isso de algum aparelho tecnológico que custou caro. Usando roupas que custaram caro, mesmo que você ache que custaram baratos. "Comprei num brechó." Mas alguém pagou por isso, não? Você gasta seu dinheiro para ler, para comer, para viver. Para morrer também.
Não há saídas para o consumismo. Está  impregnado em nós, em nossas peles, em nossas mentes. É um câncer sem tratamento. É a maneira como você nasceu e a maneira como vão estar as coisas quando você morrer. É uma doença, e custa caro pra sarar.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dias cinzas.

São esses dias cinzas em que o cigarro fica com gosto ruim. Esses dias são aqueles que me sinto como um trem desgovernado, prestes a colidir e causar estrago. Tento voltar pros trilhos, mas o dia tá tão escuro e sem vida, que esbarrar em algo seria a única maneira de trazer ação. Fico repetindo pra mim mesma "que fase, que fase". Mas meu problema é a letargia. Eu nunca faço nada pra mudar esse ponto. E mesmo se eu faço, não é o suficiente. Nunca é o suficiente.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Babe, I'm gonna leave you



 

Isso aí, meu querido amor. Vou te deixar. Mesmo que você me acalme e me relaxe, vou ter que te deixar. Primeiramente, nossos encontros serão mais ocasionais. Não quero te largar de vez. Sou muito dependente de você e cada dia me torno mais viciada em ti. Não sei o que fazer se não te tenho por perto. És o meu maior companheiro nos momentos ruins e principalmente nos bons. Tu me fazes relaxar de uma maneira que quase nenhum outro e quase nenhuma coisa consegue.


Te conheci em um dia qualquer. Nesses dias de frio, te dividi com outras pessoas. Todo mundo precisa se esquentar, né? Não me importo. Sempre te dividi por sempre saber que tu és meu. Mas vou sentir tua falta. Não agora, tenho plena consciência que meu corpo não conseguirá te esquecer agora. Por que? Porque eu gosto do cheiro. Gosto de como teu cheiro fica em mim e se mistura ao meu perfume. Gosto do teu gosto na minha boca. Ah, como gosto desse teu gosto na minha boca, nos meus dentes, nos meus dedos.


A verdade é que eu acho que te amo. Tua cor, teu estilo. O jeito como parece que atinjo altos níveis de fodacidade quando estou contigo. Quando te tenho junto a mim. Quando te tenho nas mãos. Céus, como eu gosto de te ter nas mãos. Mas eventualmente, vou ter que te abandonar. Um dia. Tu me fazes mal também. Por mais que eu goste de ti. Com o tempo, vai me fazer mal pra caramba. Mas por enquanto tá de boa. Quero teu gosto, cheiro, sabor, amor, presença, perfume, cor, sensação. Tudo. Quero tudo de ti.


Não consigo livrar-me de ti, querido Marlboro Vermelho. É mais forte que eu.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A minha fumaça era a fumaça da cidade.

Decidi acender um cigarro pra fazer minha fumaça se juntar à poluição da cidade. A parte oeste do céu brilhava em tons de rosa e laranja, aqueles doces e lindos tons de uma cidade prejudicada pela poluição. O sol incandeava, aquela grande e gorda bola laranja de fogo. Do outro lado da avenida cheia de carros barulhentos e motoristas impacientes, eu via ele passar com o skate na mão. Assim que me viu, me deu um tchauzinho e me olhou com aqueles olhos tristes de saudade. Saudade do meu corpo junto ao dele naquela cama de solteiro. Vontade de nos ver de novo pelo espelho, deitados na cama e abraçados. Eu odeio despedidas, por um acaso eu já falei isso? Ele me deixou na parada de ônibus, a enorme mochila nas minhas costas. Beijou-me o rosto, pois sabia que se me beijasse na boca nenhum dos dois iria pra casa.

Fiquei aqui fumando sem saber se eu estava tonta do cigarro depois de 6hrs de jejum ou se ainda estava com a presença - e agora ausência - dele. A espera pelo ônibus parecia interminável agora que ele não estava mais aqui. A vontade era correr na direção contrária, mesmo que isso significasse ficar naquela zona de poluição que é a região metropolitana. Ou de ter ele na serra.

Malditas sejam as aulas que teríamos à noite. Maldito seja o trabalho no outro dia. Eu só queria ficar com ele, em um lugar mais calmo, de preferência. Eu queria o sexo com ele e o abraço preguiçoso no fim de tudo. Corpos exauridos. Almas satisfeitas.

domingo, 17 de agosto de 2014

I miss you, but I don't want you here anymore


Às vezes eu esqueço o quanto é bom escrever. Mas aí eu sempre sou tomada por essa onda de sentimentos que tenho medo de explodirem dentro de mim. Minha melhor saída, a perfeita válvula de escape, sempre foi escrever. Sobre mim, sobre o mundo, sobre ti, sobre tudo. Mas aí parei para pensar quando tinha sido a última vez que eu tinha escrito algo sobre ti. Tu foi embora dos meus textos. Tua presença lentamente foi extinguindo-se dos meus dedos, enquanto a mente e o coração se esforçavam para te dissolver da memória. Como podemos ter tomado rotas tão diferentes, se éramos tão iguais? Se éramos um só, um par?


Eu sempre nego essa linha de pensamentos, mas hoje não deu. Hoje eu lembrei de tudo que eu amava e odiava em ti e em nós. Me coloquei na linha de fogo e analisei algumas coisas que eu vivia fazendo errado também, afinal, quem sou eu para achar que eu estava certa? Não, eu não estava. Nem tu. Nem ninguém. Não sei se precisávamos estar certos, mas quer saber? Às vezes eu só preciso do teu abraço. Desses que fazem parar o mundo. Que fazem interromper os segundos. O mundo sem você é facilmente maleável, mas de vez em quando eu sinto falta de te ter e ter todos os problemas que tu sempre trazia contigo. Só pra te ter.


Acaba que a vontade sempre passa. No fim das contas eu chego à conclusão que eu não sou forte o suficiente (ou não sou mais tão otária) pra voltar e tudo acontecer de novo. Meu corpo e mente estão exauridos de coragem pra tentar tudo mais uma vez, chorar de novo pelos mesmos motivos. Pra passar por aquela merda toda só pra te ter. Eu gosto de ficar assim, só lembrando as partes que não me fazem chorar. As partes que me fazem rir. E eu aqui escutando Pijama Show. Algo que eu nunca fiz com você, mas que sempre me fazia lembrar de ti.


Toca R.E.M. E eu fico pensando nesse meu defeito e/ou qualidade de só conseguir escrever com música. Mas dessa vez não escolhi. Dessa vez não foi proposital. Só comecei a pensar em ti e puf: resolvi escrever. É que na verdade eu esqueço o quanto é bom afundar os dedos no teclado do notebook e digitar o que a mente manda. É que na verdade eu começo a lembrar de você. É que na verdade eu sei por que é tão difícil te esquecer. Eu roubei de você uma parte sua e ela vai estar sempre aqui comigo. Levei de ti uma das suas melhores partes: aquela que me fez sorrir, aquela que me fez te amar. Aquele teu sorriso, sabe? Aquele que era só meu. Era meu e levei pra mim. Guardo junto ao peito e lembro do quanto era gostoso aquele sorriso largo de dentes brancos, nariz comprido olhos apertados, cabelos cacheados. Guardo no peito e vou levando a saudade, que não vai mais ser matada, por ser muito boa de sentir.


Sinto que vou escrever o mundo. Eu já deveria ter parado, mas o fluxo segue. As palavras só vão saindo. Acho que sinto a tua falta, porém não te quero mais. O baile segue, de qualquer forma.


Mas deixa assim que tá gostoso. Essa saudade do que eu nunca mais quero ter.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Uma viagem ácida.

É preciso conectar as partes desconexas. Há uma necessidade inquietante de juntar as partes perdidas de um todo, partes desalinhadas de uma história em quatro partes, as sensações, as visões e os lugares de cada um dos pedaços desconvexos de um quadrado anguloso e que em cada ângulo há um tipo de visão sem noção da realidade. Mas o que é realidade? É o que a sociedade cria ou o que a gente vivencia? Vivemos ou sobrevivemos? Andamos ou nos perdemos? Há eternamente um desalinhavo desse mundo, desse universo que dizem que é complexo, mas porém descomplicado. Estamos em retrocesso tentando voltar ao tempo onde tudo era natural, onde éramos ser, mas não humanos, éramos entes próximos ao natural, à natureza, ao tudo e ao nada, à majestidade de viver, à sapiência que se busca no alto de morros e se afunda em negros mares.

Quem é o ser humano? Quem é você? Tu, homem estúpido e cruel, que destrói as fantasias de quem quer viver, de quem quer sonhar, de quem quer ser livre, de quem quer respirar. Vestimos a carapuça que a sociedade nos coloca, como se fôssemos meros robôs, que são jogados nessa fábrica que é o mundo, e que não é para se ter vida, é para sermos escravos de uma mentira que é vendida para nós como se fosse a vida. Não me escraviza, humanidade, eu quero ar, quero liberdade, quero sem destino e quero solidão. Quero desatinar,  quero o descontrole, quero me jogar, quero viver e não quero pensar, quero agarrar-me à liberdade de viver, mas não viver dessa forma falsificada de vida que dizem que devemos viver. Quem diz? Por que?

Palmilharei por aí, tentando descobrir, tentando encontrar, sempre permitir e nunca negar, o não é uma mentira obstinada das pessoas que se negam a se libertar dessa escrotidão de vida, que não te permite ficar de braços abertos contra o vento, sentindo o vento entrar e sair da sua cabeça, ouvir o barulho do vento fazendo a curva, só sentir, só sonhar, só curtir, só imaginar. Só viver.